sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bah

Já não sabia mais quem era
Sabia amar apenas o que sentia
Não via mais a saudade que havia
Nem os erros, muito menos o mal que fizera”

Também pudera
Com tantas feridas expostas
Eu aguardo na porta
Uma outra despedida tua

Chorar pelo sangue derramado
Talvez uma tortura em um peito errado
Continuo sofrendo
Na amargura de um sentimento por mim escasso

Perdido por ti escrevo, canto e verso mais uma vez
Espero não guardar mais nenhuma carta
Nenhum litro de cachaça
Quero esquecer

Minhas vicissitudes, virtudes e vibrações
Sentimentos resguardados
Anéis guardados
E tantas outras canções

Versos, delírios
E guardar por ti o amor
Porque é dele que sobrevivo
E vivo sobre ele chorando rios


Karin Segalla Ferreira

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mesmo longe

Tu me tens do jeito que quiserdes
Nua, aos prantos
Sempre ao teu lado

Logo desaparecida me faço breve
Por um encanto separada da realidade
Inconstante sou

A minha falta se fazia presente a cada instante
Junto ou perto
Agora até longe sou constante

Agora perto
Entre gritos e desejos
Entre teus olhos me vejo.


Karin Segalla Ferreira

sábado, 15 de agosto de 2009

Vício

As vezes parece que quero me fechar em meu próprio casulo. Ficar dentro de mim e deixar todo o resto pra fora. Abandonar cada silêncio exato das horas de desespero, deixar para trás todos os anseios daquela vida de sons e medos. Abandonar cada ânsia recíproca de suicídio (corpo e alma) e dor que sonhei sem sentir;
Me perdi pela felicidade dos defeitos encontrados no espelho. E assim busco outra face sem reflexo... Defeitos... Aqueles que a gente fica buscando encontrar e encontra em cada esquina, em cada passo, um abraço - precipício. Onde não há vazio nem imagens. Apenas uma viagem onde ninguém leva bagagem.

-Silêncio: todos neste navio dormem.



Karin Segalla ferreira

sábado, 25 de abril de 2009

"Um beijo rápido como aquele instante. Mas ardente como o amor"

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Sábado

Diante da ausência que ela havia lhe causado
só restava olhar pela janela;
ver os carros passando... em câmera lenta,
imaginar o que acontecia em cada andar do prédio ao lado.
Ela observava atentamente cada movimento das janelas,
a forma como as cortinas se abriam e fechavam
com o bater do vento e os passos das pessoas
caminhando pela rua movimentada de um sábado a noite.

Foi um sábado de surpresas, experiências e medos.
Talvez não surpresas, mas sorte.
E quem sabe não experiências, mas sim vivências
de ausência de medos e o esquecimento daqueles profanos beijos.

A ausência mais uma vez.
A falta do que se quer ter e não se tem.
O não saber como fazer, o que fazer, quando fazer.
E eu fico à deriva.
Na beira de um abismo.
E acredito que nem mesmo o todo sábio cinismo
tenha a audácia de me dizer que ela não me quer mais.


Karin Segalla Ferreira

domingo, 12 de abril de 2009

XI

Eu achava que ninguém merecia lágrimas minhas. Nunca tinha chorado por amor. Nem nunca, nem tanto. Por nada. Nunca tinha falhado tanto, em tão pouco tempo. Talvez nunca tenha machucado alguém antes e acho que nunca me fiz machucar. Ultimamente só sei escrever sobre ela. E a elegância em que me encontro, com o meu andar meio torto, minha loucura - junto a minha dor.

X

Meus olhos opacos retratam a esperança que tenho, mas não tudo o que anseio. (As noites sem dormir e o fruto do meu desamor. Porque o amor não foi suficiente, não com ela). Antes punham lágrimas em olhos de quem não merecia, hoje sou eu quem chora pelos castelos construídos. Areia... que o vai e vem das ondas levou. Mais uma noite. 432h + 2h56m. Aprox. 70h dormidas. 18 noites.